“No pain, no gain” – Sem dor, sem ganho

Para qualquer transformação que queremos passar na vida, em qualquer área, é necessário passar por um processo. Não há transformação sem processo. E também não há processo sem desconforto. Não é confortável e nem agradável sairmos de um lugar ao qual estávamos acostumados e criar um caminho novo rumo ao objetivo que queremos. E, sim, esse processo, na maioria das vezes, não vai ser gostoso, não vai ser divertido, não vai ser legal. Sinto muito dizer isso: crescer dói. “Sem dor, sem ganho”, já dizia aquela frase famosa entre os praticantes de musculação. Assim como os músculos se desenvolvem quando submetidos a esforços contínuos, nossa capacidade de alcançar subjetivos e crescer em maturidade, aprendizado, coragem e inteligência emocional também é trabalhada em meio a problemas e desconfortos.

O que distingue uma criança de um adulto, dentre outras coisas, é a capacidade de tolerar mais e mais situações de desconforto e superar dificuldades. Viver em sociedade requer ter essa capacidade bem desenvolvida. Hoje em dia vemos muitos adultos cronologicamente falando, mas que não passam de verdadeiras crianças emocionais, que desabam diante de qualquer desafio um pouco maior.

A dor não é agradável, mas a dor nos capacita e nos dá envergadura para superarmos os desafios diários e a não ficarmos mais tão frágeis diante de qualquer acontecimento ruim ou inesperado. Mas, quando tudo o que temos é a dor, qual seria o motivo para continuarmos seguindo em frente, apesar dela?

É aí que entra o famoso PORQUÊ. Você tem um grande porquê? Qual é o propósito que faz você seguir em frente APESAR DE…? Qual é o sentido de continuar seguindo em frente, mesmo quando dói, quando perdemos tudo, quando as coisas ficam difíceis…? É aí que se torna tão importante aprender a conhecer melhor a si mesmo, é aí que você começa a entender que AUTOCONHECIMENTO não é bobagem, ele pode fazer muita diferença quando você tem que decidir entre permanecer em um lugar que é aparentemente confortável, mas que não desafia você, ou avançar, mesmo em meio à dor e à dificuldade, mas sabendo que tudo isso é temporário, que a recompensa maior ao final é muito mais valiosa e fará diferença na sua vida e na vida de outras pessoas.

Eu passei muito tempo da minha vida com medo de avançar em certas áreas porque tinha acolhido escolhas de outras pessoas que me queriam muito bem, como se fossem minhas próprias escolhas, mas no fundo, só contribuíam para que eu me sentisse cada vez mais insatisfeita comigo mesma, desanimada, triste, sem rumo. E o meu estado emocional de insatisfação interior evoluiu a tal ponto que, aos 39 anos de idade eu me vi adoecida, com Burnout e arritmia cardíaca. Para recuperar minha saúde eu tive que repensar toda a minha vida e criar coragem para encarar mais um desconforto, ressignificando desconfortos anteriores dos quais eu queria fugir ao máximo (porque ainda me traziam dores) e avançar, encarando o espelho que refletia não apenas a minha imagem exterior (que gritava por ajuda), mas também, a imagem da minha própria alma, porque estava tudo tão cinza, que eu nem conseguia mais enxergá-la direito.

Posso dizer que enfrentar as minhas dores, encarar o desconforto me levou ao autoconhecimento, e o autoconhecimento me ajudou a resgatar a minha saúde física, mental, emocional e espiritual.

O espelho pode revelar muitas coisas para você, pode doer demais encará-lo, mas sentir essa dor agora pode ser fundamental para que você nunca mais volte a senti-la novamente. E mais, pode ser fundamental para que você também ajude outras pessoas a não sentirem essa dor também.

Que tal começar hoje mesmo? Há dor, mas também há ganho. E isso ninguém poderá mais tirar de você.

Um abraço!!

Patty Azevedo

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