Bora falar sobre descontrole alimentar? – Parte 2

Aspectos fisiológicos

Olá! Na última postagem falei um pouco da minha experiência pessoal com o sobe-e-desce da balança e de como a questão emocional teve muito impacto sobre isso. Hoje quero falar um pouco do lado fisiológico da coisa.

Muitas de nós já estamos acostumadas a ouvir por aí que, para emagrecer, não tem segredo: basta fechar a boca e ingerir menos do que se gasta (o tal do déficit calórico). Tudo muito lindo na teoria, mas o nosso corpo é muito mais complexo do que isso e não cabe em uma simples regra matemática. Existem muitos outros fatores que podem interferir nos bons ou maus resultados em relação à questão da perda de peso e do descontrole alimentar. Esses fatores, inclusive, podem ir além dos simples resultados com dieta e atividade física.

A questão fisiológica relacionada ao descontrole alimentar e ao ganho de peso é algo muito sério. Muitas vezes, não imaginamos o quanto esse aspecto, trabalhando ao lado da questão emocional, é profundo. Como já disse, não é apenas uma questão de déficit calórico. É uma questão que abrange aspectos hormonais, metabólicos, neurológicos e outros.

Só para exemplificar: sabia que alterações na sua disposição, excesso de cansaço, inchaço, alterações de humor, dentre outros sintomas, podem estar ligados a doenças que atrapalham o processo de emagrecimento? Sim! Doenças. O próprio ganho de peso também traz consigo uma questão inflamatória sistêmica, que precisa ser avaliada e tratada com a ajuda de um médico.

– Hipotireoidismo: é a baixa produção de hormônios da tireoide. Quando isso acontece, há todo um desequilíbrio em diversos sistemas do corpo. Há ainda, a tireoidite de Hashimoto, que é um tipo de hipotireoidismo em que é produzido um anticorpo que age contra a própria tireoide. Nesses casos, é necessário fazer reposição do hormônio da tireoide e suplementação de vitaminas e minerais, conforme a prescrição do médico. Vale dizer que essa condição traz, além do ganho de peso, indisposição, cansaço, falta de concentração, queda de cabelos, unhas fracas e outros sintomas. A dosagem dos hormônios é feita por meio de exames de sangue.

– Diabetes tipo 2: essa doença geralmente aparece na fase adulta e está relacionada à má alimentação. Nessa doença, ocorre a produção insuficiente de insulina pelo pâncreas ou a dificuldade de utilização desse hormônio pelo organismo. Uma pessoa com esse quadro pode sofrer com obesidade ou sobrepeso. Há, ainda, o risco de acúmulo de gordura no fígado, ou esteatose hepática, que é uma das piores complicações que pode ocorrer. É importante manter um estilo de vida saudável, fazer exames periódicos e consultar um médico, a fim de reverter qualquer quadro antes que evolua para uma complicação.

– Depressão e Ansiedade: tanto um quadro, quanto o outro podem ocasionar distúrbios alimentares, como, por exemplo, a compulsão alimentar. Esse quadro pode estar relacionado à desregulação de hormônios e neurotransmissores ligados ao bem-estar, como dopamina, serotonina, etc., gerando falta de energia, cansaço, dificuldades para dormir e ganho de peso. A ausência dessas substâncias leva o cérebro a, inconscientemente, buscar o alívio para o stress na comida, principalmente em alimentos ricos em açúcar e gordura. Por sua vez, o desequilíbrio químico do cérebro pode desencadear outras alterações hormonais, desencadeando novas doenças.

– Pílula anticoncepcional: a alteração hormonal desencadeada pelo uso de pílulas anticoncepcionais pode estar relacionada ao ganho de peso, em alguns casos. Um desses fatores pode ter a ver com o efeito do estrogênio no organismo, dificultando o processo de perda de gordura e o ganho de massa magra, além do inchaço. É importante nunca fazer uso de qualquer medicação sem acompanhamento médico.

Como podem ver, a questão do descontrole alimentar passa por muitos aspectos, além da simples falta de vergonha na cara como alguns gostam de dizer. Há muitos fatores envolvidos, físicos e emocionais. Por isso mesmo, é importante o acompanhamento multidisciplinar se você sente que está com dificuldades em relação a esse problema. Lembre-se que, para que os outros estejam bem, em primeiro lugar, você precisa estar bem.

Desejo que você tenha muita saúde em todas as áreas da sua vida e em qualquer idade!

Um abraço!

Patty Azevedo

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