Bora falar sobre descontrole alimentar? – Parte 1

Os bastidores do meu sobe e desce na balança

Olá! Recentemente, a Mari colocou uma pesquisa nos stories dela sobre o que as pessoas têm passado nessa pandemia, especificamente, em relação ao seu comportamento alimentar, se engordaram nesse período, se ficaram mais ansiosas, etc… A quantidade de pessoas que respondeu sim a essas perguntas foi muito grande, o que nos levou, como time de colunistas, a sentir a necessidade de tratar desse assunto aqui, cada uma contribuindo com a sua experiência e visão para ajudar vocês que estejam passando por esse problema.

Vou começar falando um pouco sobre a minha própria experiência, pois pode ser que você, em alguma medida, se identifique. Para começar, eu nunca tive problemas com alimentação em excesso ou obesidade até me tornar mãe. Acredito que muitas mulheres, assim como eu, ao passarem por essa experiência, vivenciam um turbilhão emocional (além do orgânico) que pode levá-las a cair em uma armadilha que as leva a aumentar muito o peso. Existem inúmeros fatores que podem desencadear um descontrole alimentar ou, até mesmo, uma compulsão em alguém (são coisas diferentes). Não vou entrar tanto assim na parte técnica, vou contar, agora, um pouco da minha experiência

O que aconteceu comigo?

No meu caso, o que desencadeou o aumento de gordura corporal foram tanto questões orgânicas, quanto questões emocionais. No que se refere à parte orgânica, além da explosão fisiológica desencadeada pela gravidez, houve alguns aspectos que acredito terem contribuído, dentre eles: hipotireoidismo, uso de anticoncepcional previamente (diminuiu muito meus níveis de testosterona, o que prejudicou o ganho de massa magra e a perda de gordura – sim, mulheres também têm testosterona), o fato de eu não praticar exercícios físicos regulares à época, etc.

Na primeira gestação, não engordei muito, apenas 10 kg, e rapidamente voltei ao meu peso original durante o período da amamentação. Porém, nas gestações seguintes, passei por algumas questões orgânicas e emocionais que começaram a se refletir no meu comportamento alimentar. Primeiramente, tive 2 gestações perdidas (numa delas o bebê morreu com 32 semanas), descobri uma trombofilia, engravidei do caçula, gestação de risco, recém-saída de um luto anterior (medo constante), incompatibilidade sanguínea, hipotireoidismo, uso de anticoagulante, repouso, diabetes gestacional… Enfim, ganhei 12 quilos na balança.

Quando meu caçula estava com 1 mês de nascido, em 2013, meu pai teve a primeira crise de depressão, o que desencadeou em mim o stress, além do puerpério. Ele se recuperou rapidamente, mas eu não consegui sair do stress. Saí da licença-maternidade e precisei encarar toda a questão de colocar filho na creche, o que o levou a adoecer muito até os 2 anos de idade (numa dessas vezes, ele chegou a ser internado com bronqueolite). Somando esse pano de fundo com as demandas do trabalho, cheguei em 2015 com uma crise de Burnout (stress associado ao trabalho), arritmia cardíaca, sobrepeso e uma sentença do médico: “ou você repensa a sua vida, ou você não vai conseguir terminar de criar os seus filhos”.

O que resolvi fazer?

Comecei, então, uma série de medidas para recuperar a saúde perdida. A mais urgente era sair do sobrepeso, melhorar os hábitos de vida e tratar a questão hormonal e fisiológica, além da arritmia, por uma questão de sobrevivência. Comecei a buscar alguns profissionais à época (médicos e nutricionistas) e fiz o compromisso comigo mesma de, dessa vez, não apenas “frequentar” a academia, mas levar a sério a rotina de exercícios, pelo menos 5x por semana.

No começo não foi nada fácil. Eu não gostava de puxar ferro, não me sentia adequada no ambiente da academia, com todas aquelas pessoas saradas ao meu redor. Mas resolvi parar de olhar para os outros e olhar mais para mim mesma. Eu não estava fazendo aquilo por causa dos outros, estava fazendo aquilo por mim mesma. Não estava buscando simplesmente estética, estava buscando saúde.

O resgate de mim mesma

Então fechei os olhos para os outros e abri a mente para o meu mundo interior. E, na busca por saúde física, encontrei a chave para a minha cura emocional. A cada dia em que eu fazia o esforço de dar mais um passo, por menor que fosse, rumo a minha cura, eu aprendia algo valioso. A cada dia em que eu superava uma pequena meta, quer fosse fazer 1 minuto a mais na esteira, quer fosse terminar a série em algum aparelho, eu sentia que estava colocando mais um tijolo no castelo da minha vida. Fui buscar saúde, encontrei a mim mesma.

Em 2017, meu pai teve outra crise de depressão. Dessa vez, ele não melhorou. Cada vez mais foi piorando, até ficar totalmente demente e falecer, em agosto de 2020. Passei por muitos altos e baixos emocionais com a doença dele. Havia dias em que eu mais chorava do que sorria. Mas uma coisa que me ajudou muito durante esse período foi o aprendizado físico e emocional desenvolvido durante esses anos. Fazer atividade física e cuidar da alimentação, para mim, tornou-se algo essencial, quase terapêutico.

Havia dias em que eu estava na academia e chorava sozinha, sem ninguém ver, lembrando que, quando saísse dali, teria que trocar a fralda da pessoa que eu mais amava na vida. Mas estar ali, me exercitando, era o momento alto do meu dia, era o lugar onde eu canalizava todos os sentimentos e pensamentos negativos. Ao estimular a produção de hormônios e neurotransmissores que estimulavam o meu bem-estar, eu sabia que estava adquirindo não apenas músculos físicos, mas músculos mentais e emocionais para lidar com as dificuldades.

Com a chegada da pandemia, academias fechando, meu pai doente, homeoffice meu e do marido, filhos em casa, tudo ao mesmo tempo, vivi uma nova crise. Esse período coincidiu com a piora do quadro do meu pai. O emocional foi bastante abalado e, diante das noites mal dormidas, do stress pela doença dele e das incertezas, tive um reganho de peso (descontrole alimentar), além de ter ganhado também algumas sequelas orgânicas que estou tratando até hoje.

Autoconhecimento

Porém, apesar de tudo isso, foi um período de grande crescimento para mim, em termos de autoconhecimento. Essa caminhada me levou a ressignificar muitas coisas na minha vida, a buscar mais conhecimento nas áreas de saúde física, inteligência emocional, neurociência e comportamento. Tive experiências com mentorias, terminei formações de coach e analista comportamental, iniciei estudos nas áreas de PNL, hipnose,e análise corporal, dentre outras. Enfim, das cinzas, levantou-se um propósito, que é ajudar muitas outras pessoas que estejam passando por aquilo que eu já passei também.

E descontrole alimentar tem a ver com tudo isso. Essa postagem ficou um pouco maior, eu sei. Há vários aspectos que podem ser falados em relação a descontrole alimentar e compulsão. Hoje contei essa história apenas para introduzir o assunto. As outras meninas aqui do Espelho Rosa também vão abordar o assunto, cada uma em sua área. Na semana que vem, falarei alguns outros aspectos relacionados a esse tema. Estamos aqui unidas com o propósito de ajudar você!

Um abraço!!

Patty Azevedo

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