Aceitação do corpo e Amor próprio – Polêmicas?

Sempre que falo sobre aceitar-se, que, claro, vai além de aceitar a própria imagem, recebo alguns comentários sobre como é mais fácil se aceitar depois de mais magra.

Mesmo que saibamos que a autoestima é muito mais do que a nossa autoimagem e da aceitação do corpo, também sabemos o quanto somos bombardeadas e oprimidas com a pressão estética da magreza.

O culto ao corpo e o enaltecimento do corpo magro, especialmente no Brasil, causam intenso sofrimento e influenciam nas nossas relações com a imagem e com a nossa autoestima.

Em alguma medida, somos afetados por essas construções sociais.

Trata-se de um tema complexo e não tenho a pretensão de exaurir o tema, mas gostaria de trazer algumas reflexões.

Durante meu período gorda e na obesidade, passei por alguns estágios.

No início, não me identificava com meu corpo, me via sendo, pouco a pouco, invisibilizada pela sociedade.

O sofrimento foi crescendo e a dor passou a ser acompanhada por ódio do meu próprio corpo e depois por mim.

A terapia psicológica foi fundamental para me reerguer e me enxergar além da estética e, junto disso, a me aceitar e amar o que via no espelho.

Me fortaleci, me empoderei. É um processo contínuo e cheio de altos e baixos.

E, nesse momento, outros questionamentos chegam…

“Ué, se a sua autoestima e autoaceitação melhoraram, então por que fazer bariátrica?”

“Por que quis emagrecer?”

Nesse ponto, que reforço a importância da clareza de que a autoaceitação e o amar-se são pilares para o nosso bem-estar emocional necessários para a nossa vivência.

O amar-se e aceitar-se não significam conformismo ou resignação, nem tampouco, significam que não possamos querer mudar.

Os danos do ódio ao próprio corpo, ao próprio eu, são visceralmente dolorosos.

Acredito que sim, estar mais próximo dos ditos padrões opressores estéticos, facilita esse processo, mas não é suficiente para desenvolver uma autoestima fortalecida.

Cada pessoa tem o direito de se transformar ou querer mudar por estética ou por saúde. Cabe avaliar as origens desse desejo e o quanto vale a pena se dedicar ou não para essa mudança.

Aproveito para destacar algumas reflexões importantes:

  • Precisamos respeitar todas as histórias!
  • Precisamos respeitar todos os corpos!
  • Precisamos parar de falar do corpo do outro!
  • Precisamos questionar e desconstruir esses padrões!
  • Precisamos parar de reduzir as realidades às nossas verdades!
  • Precisamos nos amar e nos aceitar mais!

Lívia Ramalho

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